SÃO PAULO | ZÜRICH

 
SÃO PAULO | ZÜRICH

Gê Viana

Gê Viana

Santa Luzia, MA, 1986
Vive e trabalha em São Luís do Maranhão

Biografia

Criar um caminho na arte hoje parte da ideia de denúncia, lançando mão das categorias estéticas, penso no legado deixado pelos fotógrafos que denunciaram em cliques o cotidiano das grandes metrópoles, guetos e povos tradicionais. A partir de um processo em Santos com Lívia Aquino, pesquisadora do campo das artes visuais, resolvi usar a “”imagem precária”” e os meios de apropriação das fotos históricas já que na maioria dos meus trabalhos vê-se o uso de outras camadas fotográficas.
As imagens de arquivo que trago são imagens que ainda carregam um trauma histórico do nosso povo, então pensei num modo de apropriação para trazer outras narrativas, que trabalhem possibilidades mais felizes, pois sinto que nossa felicidade está em risco. Sigo inspirada pelos acontecimentos da vida familiar e do cotidiano, num confronto entre a cultura colonizadora hegemônica e seus sistemas de arte e comunicação, no ato de fotografar corpos, que assume vários recortes com a fotomontagem, colagem analógica e digital, retornando um segundo corpo gerando lambe-lambe em experimentos de intervenção urbana.
Busco repensar em uma retomada interna a descolonização da minha mente, para que isso se aplique também nos meus trabalhos e que eles floresçam num acompanhamento de iniciação pela identidade ancestral. Domesticaram nosso corpo, nossa língua e o fazer dele, coube a mim expandir essa busca sobre minhas origens e o meio em que eu acesso, lugares que transito com a fotomontagem, colagem, pixação.
Quando criança lembro que mamãe pagou uma pessoa para registrar nossos corpos, foi uma tarde de manuseio com vestimentas e arrumações de poses, um senhor apareceu trazendo consigo uma câmera fotográfica, achei genial aquele lençol grande esticado atrás de mim e dos meus irmãos, foi um dia atípico, pois hoje não tenho conhecimento de registros fotográficos em momentos com a família ou algo do tipo. A fotografia sempre esteve longe de mim, hoje eu entendo que a fotografia é o outro de nós, escrever esse texto é voltar às minhas lembranças, da falta de acesso a fotografia para compreender esse lugar/imagem/performático.
0000