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Céu da Boca

São Paulo
27 de mai – 02 de jul de 2022

Céu da Boca
Rafaella Braga

São Paulo
27 de mai – 02 de jul de 2022

Céu da Boca
Rafaella Braga

Céu da Boca
Trabalhos
Vistas da Exposição
Rafaella Braga

Galeria Kogan Amaro São Paulo
Alameda Franca, 1054
Jardim Paulista, São Paulo, SP
info@galeriakoganamaro.com

Quando eu fui até o ateliê da artista Rafaella Braga para acompanhar o desenvolvimento das pinturas que compõem esta exposição, me chamou atenção que a grande escala de suas pinturas e o acúmulo de informações nelas contido trazem uma sensação inversa a essa primeira vista.

Isso porque Rafaella consegue transmutar – como poucos – a cacofonia presente nos grandes centros urbanos em sensações opostas às que ela nos oferece. No lugar de desamparo, temos o acolhimento. Da racionalidade, o acaso. E do caos; silêncio. Isso talvez porque para a artista, pintar, antes de mais nada, seja um processo meditativo, de autoconhecimento e cura.

No entanto, o texto é algo muito presente em suas pinturas. Rafaella utiliza o suporte como uma espécie de diário o qual a escrita está fora de sua função original de destinação, ou seja, expressam em si a essência do ato de escrever: a gestualidade. Aqui, sua escrita-gesto serve como um elogio ao ilegível, que também retoma aos anos que a artista dedicou-se ao graffiti – que foi seu primeiro lugar de incursão na arte. E aqui precisamos lembrar a marginalidade que esse tipo de expressão artística ainda é colocado e como trazer essa simbologia para dentro de uma pintura contemporânea, ainda hoje, é um ato transgressor.

Aliás, aqui eu levanto um ponto importante sobre as pinturas de Rafaella. Elas estão o tempo todo nos fazendo lidar com uma sensação de oposição, e porque não, dualidade. Ao mesmo tempo que a gestualidade da sua escrita se expande a ponto de quase dominar todo o canvas, os gigantescos e imponentes seres imaginários que a artista pinta recorrentemente em suas telas têm um caráter introspectivo. E nesse exercício constante de expansão e retração, Rafaella nos mostra que é preciso um pouco de sonho e fantasia para encarar a realidade, e vice-versa.

E é exatamente essa busca de equilíbrio que torna a pintura de Rafaella interessante. Observar uma jovem pintora desbravar lugares antes não dados a ela (geográfico e mentalmente) é pensar que sim: o céu é o limite. Céu, inclusive, é uma palavra que permeia todas as criações da artista. Um lugar de refúgio que ela se conecta para buscar conforto em qualquer lugar do mundo que ela esteja, em uma forma de nos dizer que para voar é preciso tirar os dois pés do chão.

Todo esse otimismo pode parecer juvenil, e em parte é (sem aqui invalidar toda história de vida da artista, mesmo com sua pouca idade). Mas aqui precisamos nos atentar que Rafaella faz parte de uma geração comprometida com as mudanças que as gerações anteriores tem proposto como possibilidades de futuros mais plurais, diversos e inclusivos. E a artista decidiu fazer isso numa tentativa de conexão consigo e com seu entorno.

Então essa exposição, nada mais é do que um convite a adentrar esse espaço como se entra em um templo meditativo e deixar com que os seres que podem nos assombrar, também nos acolham. Se Rafaella conseguiu docilizar os seus, porque nós não podemos tentar a mesma experiência? Às vezes os mais velhos ensinam os mais jovens. Às vezes o inverso também acontece. Eu tenho aprendido com a troca.

Carollina Lauriano

Trabalhos

No céu da minha boca a noite é sempre estrelada, 2022
Veja todas

Vistas da Exposição

Goiânia, Brasil – 1998
Vive e trabalha em Berlim, Alemanha

Rafaella nasceu em Goiânia, Brasil, 1998. Começou a traçar seu próprio caminho nas artes através do graffiti e depois se descobriu na pintura, explorando-a livremente e sem qualquer pré-concepção. Ela tem desenvolvido e materializado suas ideias principalmente em telas de grande porte, que podem ocupar paredes inteiras, revelando um método de trabalho fisicamente intenso.

Usando a tela como diário, sua prática tem o corpo como matéria-prima, investigando o próprio delineado por suas vulnerabilidades e segredos, e gira em torno da interação entre realidade e fantasia, identidade e tempo, oferecendo uma alternativa onírica à realidade.

A artista vem desenvolvendo projetos próprios, em colaboração com iniciativas internacionais como exposições coletivas. Rafaella Braga atualmente vive e trabalha em Berlim.

Céu da Boca
Trabalhos
Vistas da Exposição
Rafaella Braga

Galeria Kogan Amaro São Paulo
Alameda Franca, 1054
Jardim Paulista, São Paulo, SP
info@galeriakoganamaro.com

Quando eu fui até o ateliê da artista Rafaella Braga para acompanhar o desenvolvimento das pinturas que compõem esta exposição, me chamou atenção que a grande escala de suas pinturas e o acúmulo de informações nelas contido trazem uma sensação inversa a essa primeira vista.

Isso porque Rafaella consegue transmutar – como poucos – a cacofonia presente nos grandes centros urbanos em sensações opostas às que ela nos oferece. No lugar de desamparo, temos o acolhimento. Da racionalidade, o acaso. E do caos; silêncio. Isso talvez porque para a artista, pintar, antes de mais nada, seja um processo meditativo, de autoconhecimento e cura.

No entanto, o texto é algo muito presente em suas pinturas. Rafaella utiliza o suporte como uma espécie de diário o qual a escrita está fora de sua função original de destinação, ou seja, expressam em si a essência do ato de escrever: a gestualidade. Aqui, sua escrita-gesto serve como um elogio ao ilegível, que também retoma aos anos que a artista dedicou-se ao graffiti – que foi seu primeiro lugar de incursão na arte. E aqui precisamos lembrar a marginalidade que esse tipo de expressão artística ainda é colocado e como trazer essa simbologia para dentro de uma pintura contemporânea, ainda hoje, é um ato transgressor.

Aliás, aqui eu levanto um ponto importante sobre as pinturas de Rafaella. Elas estão o tempo todo nos fazendo lidar com uma sensação de oposição, e porque não, dualidade. Ao mesmo tempo que a gestualidade da sua escrita se expande a ponto de quase dominar todo o canvas, os gigantescos e imponentes seres imaginários que a artista pinta recorrentemente em suas telas têm um caráter introspectivo. E nesse exercício constante de expansão e retração, Rafaella nos mostra que é preciso um pouco de sonho e fantasia para encarar a realidade, e vice-versa.

E é exatamente essa busca de equilíbrio que torna a pintura de Rafaella interessante. Observar uma jovem pintora desbravar lugares antes não dados a ela (geográfico e mentalmente) é pensar que sim: o céu é o limite. Céu, inclusive, é uma palavra que permeia todas as criações da artista. Um lugar de refúgio que ela se conecta para buscar conforto em qualquer lugar do mundo que ela esteja, em uma forma de nos dizer que para voar é preciso tirar os dois pés do chão.

Todo esse otimismo pode parecer juvenil, e em parte é (sem aqui invalidar toda história de vida da artista, mesmo com sua pouca idade). Mas aqui precisamos nos atentar que Rafaella faz parte de uma geração comprometida com as mudanças que as gerações anteriores tem proposto como possibilidades de futuros mais plurais, diversos e inclusivos. E a artista decidiu fazer isso numa tentativa de conexão consigo e com seu entorno.

Então essa exposição, nada mais é do que um convite a adentrar esse espaço como se entra em um templo meditativo e deixar com que os seres que podem nos assombrar, também nos acolham. Se Rafaella conseguiu docilizar os seus, porque nós não podemos tentar a mesma experiência? Às vezes os mais velhos ensinam os mais jovens. Às vezes o inverso também acontece. Eu tenho aprendido com a troca.

Carollina Lauriano

Trabalhos

No céu da minha boca a noite é sempre estrelada, 2022
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Vistas da Exposição

Goiânia, Brasil – 1998
Vive e trabalha em Berlim, Alemanha

Rafaella nasceu em Goiânia, Brasil, 1998. Começou a traçar seu próprio caminho nas artes através do graffiti e depois se descobriu na pintura, explorando-a livremente e sem qualquer pré-concepção. Ela tem desenvolvido e materializado suas ideias principalmente em telas de grande porte, que podem ocupar paredes inteiras, revelando um método de trabalho fisicamente intenso.

Usando a tela como diário, sua prática tem o corpo como matéria-prima, investigando o próprio delineado por suas vulnerabilidades e segredos, e gira em torno da interação entre realidade e fantasia, identidade e tempo, oferecendo uma alternativa onírica à realidade.

A artista vem desenvolvendo projetos próprios, em colaboração com iniciativas internacionais como exposições coletivas. Rafaella Braga atualmente vive e trabalha em Berlim.

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