SÃO PAULO | ZÜRICH

 
SÃO PAULO | ZÜRICH

Cristais de dor, de Paulo Cunha e Silva | 2000

Cristais de dor, de Paulo Cunha e Silva | 2000
Zwei Arts

Fortuna Crítica
Nazareth Pacheco

Elogio do feminino, de Margarida Sant’Anna

Elogio do feminino, de Margarida Sant’Anna

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Entrevista para Regina Teixeira de Barros

Entrevista para Regina Teixeira de Barros

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O encantamento dolorido, de Miriam Chnaiderman | 2012

O encantamento dolorido, de Miriam Chnaiderman | 2012

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Fascículos de Arte Contemporânea, entrevista para Tadeu Chiarelli | 2001

Fascículos de Arte Contemporânea, entrevista para Tadeu Chiarelli | 2001

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Cristais de dor, de Paulo Cunha e Silva | 2000

Cristais de dor, de Paulo Cunha e Silva | 2000

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O corpo em construção, de Moacir dos Anjos | 1999

O corpo em construção, de Moacir dos Anjos | 1999

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Vestido de Baile, de Regina Teixeira de Barros | 1999

Vestido de Baile, de Regina Teixeira de Barros | 1999

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O sofrimento pelo belo, de Rejane Cintrão | 1999

O sofrimento pelo belo, de Rejane Cintrão | 1999

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Uma lógica do adorno, de Lissette Lagnado | 1998

Uma lógica do adorno, de Lissette Lagnado | 1998

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Uma realidade… dilacerante, de Tadeu Chiarelli | 1997

Uma realidade… dilacerante, de Tadeu Chiarelli | 1997

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O único, O mesmo, O A – Fundamento, de Maria Alice Milliet | 1996

O único, O mesmo, O A – Fundamento, de Maria Alice Milliet | 1996

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Nazareth Pacheco, de Regina Teixeira de Barros | 1996

Nazareth Pacheco, de Regina Teixeira de Barros | 1996

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Espelhos e sombras, de Aracy Amaral | 1994

Espelhos e sombras, de Aracy Amaral | 1994

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O corpo em construção, de Ivo Mesquita | 1993

O corpo em construção, de Ivo Mesquita | 1993

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O corpo como destino, de Maria Alice Milliet | 1993

O corpo como destino, de Maria Alice Milliet | 1993

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Entre o tato e a visão, de Elisabeth Leone | 1992-1993

Entre o tato e a visão, de Elisabeth Leone | 1992-1993

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Objetos dependentes, de Tadeu Chiarelli | 1990

Objetos dependentes, de Tadeu Chiarelli | 1990

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Os objetos de Nazareth Pacheco, de Stella Teixeira de Barros | 1989

Os objetos de Nazareth Pacheco, de Stella Teixeira de Barros | 1989

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Cristais de dor

Paulo Cunha e Silva

O trabalho de Nazareth Pacheco representa uma perturbante relação da arte com a vida. Todavia, este exercício é uma via dolorosa. Quando se suporia que a obra de arte encenaria um momento de catarse, um território de libertação, ela mergulha a pique no problema e adensa-o.

Nazareth Pacheco nasceu com um problema congênito que ao longo dos seus 39 anos de vida a obrigou a múltiplas intervenções cirúrgicas. O corpo de Nazareth transformou-se, não num território de intervenção casual, mas num espaço de intervenção programada, num ritual de sofrimento.

O seu corpo foi sendo cirurgicamente abordado, por um lado em função de problemas que se iam declarando, por outro lado em função da necessidade de construir um corpo mais viável.

Podemos, de certa forma, afirmar que o trabalho de Nazareth é o negativo do trabalho de Orlan. Enquanto nesta última a reconstrução do corpo é uma opção, uma possibilidade estética, na primeira é uma necessidade vital. Enquanto Orlan exibe o processo e o resultado da transformação, Nazareth exibe os instrumentos dessa transformação: lâminas de bisturi, agulhas de sutura, integradas em adereços femininos (colares, brincos, vestidos). Como se ela reivindicasse sistematicamente a sua condição de mulher e a articulasse com o seu sofrimento pessoalíssimo.

Estas joias do horror, que nenhum corpo suportaria colocar, sinalizam e iluminam um território escuro e sofrido em que o drama de um percurso se revela através da arte.

É como se todos estes ornamentos, se todos estes objetos de superfície, adquirissem subitamente uma brutalidade sacrificial.

Nazareth coloca cada um dos seus trabalhos pertencentes a essa série dentro de uma caixa (será um estojo?) transparente, transformando-os em objetos individuais de cobiça. Dá vontade de os adquirir, de lhes pegar. São sedutoramente repulsivos e repulsivamente sedutores. Por isso, apesar de estranhos, são nos extremamente convivíeis. A História da dor, do Sofrimento é uma história coletivamente individual. Todos nós sofremos, mas o sofrimento de cada um (podendo ser comunicável) não é partilhável. A artista precipita e clarifica essa comunicação através da manufatura destes espelhos da dor, sabendo, contudo, que o território mais intimo dessa dor é inexoravelmente seu, não havendo nenhum paliativo para esta vivencia solitária.

Revolvendo Luis Miguel Nava, não estamos aqui perante “as entranhas sobre o céu”. A evidencia de um corpo patológico e deformado esmaga qualquer possibilidade de o entender como objeto estético. E os objetos tidos consensualmente tidos por estéticos (as jóias femininas) são eles próprios adulterados por essa contaminação da evidência. O belo e o horrível encontram-se nos mesmos artefatos.

Inicialmente, por um erro de paralaxe e de habituação, pensamos estar perante um catálogo de joalheria, mas se nos aproximamos um pouco, esse catálogo funde-se com um catálogo de instrumentos cirúrgicos. Estes objetos intermediários na sua concepção, mas, terminais no seu efeito, colocam-nos, assim, perante o medo mais nuclear da nossa condição. O medo do nosso próprio corpo.

Esse medo do nosso próprio corpo e o seu entendimento paradoxal, já não como um lugar de fruição e prazer, mas, sobretudo de dor e sofrimento, é particularmente evidente na série de novos trabalhos que a artista (também nesta exposição) nos apresenta. A família de objetos perfurantes, concebidos para abrir o corpo, para produzir uma descontinuidade na pele, para, a partir do exterior, se alcançar o interior, dá agora lugar a uma nova família de objetos. Elementos de tortura estranhamente vítreos, obsessivamente transparentes, como se a artista quisesse fazer dessa evidência uma mensagem cristalina sem qualquer tipo de interferência, de opacidade.

Nazareth Pacheco constrói, desta forma, cristais para encarcerar a sua dor.