SÃO PAULO | ZÜRICH

 
SÃO PAULO | ZÜRICH

O corpo em construção, de Ivo Mesquita | 1993

O corpo em construção, de Ivo Mesquita | 1993
Zwei Arts

Fortuna Crítica
Nazareth Pacheco

Elogio do feminino, de Margarida Sant’Anna

Elogio do feminino, de Margarida Sant’Anna

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Entrevista para Regina Teixeira de Barros

Entrevista para Regina Teixeira de Barros

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O encantamento dolorido, de Miriam Chnaiderman | 2012

O encantamento dolorido, de Miriam Chnaiderman | 2012

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Fascículos de Arte Contemporânea, entrevista para Tadeu Chiarelli | 2001

Fascículos de Arte Contemporânea, entrevista para Tadeu Chiarelli | 2001

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Cristais de dor, de Paulo Cunha e Silva | 2000

Cristais de dor, de Paulo Cunha e Silva | 2000

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O corpo em construção, de Moacir dos Anjos | 1999

O corpo em construção, de Moacir dos Anjos | 1999

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Vestido de Baile, de Regina Teixeira de Barros | 1999

Vestido de Baile, de Regina Teixeira de Barros | 1999

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O sofrimento pelo belo, de Rejane Cintrão | 1999

O sofrimento pelo belo, de Rejane Cintrão | 1999

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Uma lógica do adorno, de Lissette Lagnado | 1998

Uma lógica do adorno, de Lissette Lagnado | 1998

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Uma realidade… dilacerante, de Tadeu Chiarelli | 1997

Uma realidade… dilacerante, de Tadeu Chiarelli | 1997

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O único, O mesmo, O A – Fundamento, de Maria Alice Milliet | 1996

O único, O mesmo, O A – Fundamento, de Maria Alice Milliet | 1996

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Nazareth Pacheco, de Regina Teixeira de Barros | 1996

Nazareth Pacheco, de Regina Teixeira de Barros | 1996

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Espelhos e sombras, de Aracy Amaral | 1994

Espelhos e sombras, de Aracy Amaral | 1994

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O corpo em construção, de Ivo Mesquita | 1993

O corpo em construção, de Ivo Mesquita | 1993

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O corpo como destino, de Maria Alice Milliet | 1993

O corpo como destino, de Maria Alice Milliet | 1993

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Entre o tato e a visão, de Elisabeth Leone | 1992-1993

Entre o tato e a visão, de Elisabeth Leone | 1992-1993

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Objetos dependentes, de Tadeu Chiarelli | 1990

Objetos dependentes, de Tadeu Chiarelli | 1990

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Os objetos de Nazareth Pacheco, de Stella Teixeira de Barros | 1989

Os objetos de Nazareth Pacheco, de Stella Teixeira de Barros | 1989

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O CORPO COMO DESTINO

Ivo Mesquita

O corpo nos informa e reforça a ideia de ser e existir. Afinal, é ele o lugar mais acessível ao tormento e ao prazer, ao mesmo tempo nosso contato é frágil abrigo do resto do mundo. O corpo funda a identidade do ser. Não é novo. Através da História da Arte ocidental temos visto a representação do corpo humano usada como uma metáfora, uma representação simbólica de significantes associada à ordem das coisas, às aparências e à semelhança. Embora visível e idealizado, sua carnalidade, entretanto, era ocultada pelos discursos predominantes da moral, da religião ou da estética, que determinavam a imagem, a linguagem e a cultura. Mais recentemente, certas produções artísticas trazem o corpo como questão central do trabalho detonando questões políticas, outras além da especificidade da arte, e inscrevendo novos discursos que identificam algumas das questões mais urgentes da contemporaneidade: gênero, sexismo, identidade sexual, aborto, violência, doença e morte. O corpo tornou-se a última fronteira e um campo de batalha cultural. Não é mais apenas o objeto de representação ou de investimento sexual, mas o território de múltiplas tensões apontando em diversas direções em reação a qualquer colonização do corpo.

Nazareth Pacheco (1961) constrói seu trabalho recente a partir da história do seu próprio corpo. Se antes suas esculturas e objetos também podiam ser lidos por esta perspectiva se tomados como metáforas, embora eles se constituíssem a partir de pressupostos do post-minimalismo e da arte povera como outros artistas de sua geração no Brasil, agora a referência é direta a essa história. Nascida com problemas de formação congênitos, a artista passou por 16 cirurgias plásticas reparadoras e modeladoras para ter sua aparência atual. Os testemunhos deste longo processo – fotos, radiografias, pinos metálicos, receitas, relatórios médicos, seringas, formas e moldes – foram guardados como um diário, memória dessa experiência. Eles são o registro que reconstituem a história da construção do corpo da artista.

A partir desta experiência pessoal, Nazareth montou urna série de trabalhos acondicionando, em caixas de madeira forradas de chumbo e fechadas por um vidro, todos estes fragmentos de vivências do próprio corpo em transformação. O esforço é similar ao da investigação da genealogia de alguém que inventaria as marcas dos ancestrais que fazem dele ou dela a sorna de seus predecessores. Os trabalhos resultam em algo enxuto, urna sequência de objetos que refletem uma visão dissecante de resíduos e que informam sobre a determinação do artista de provar e experimentar. Mais, em Nazareth, estes trabalhos exalam o sentido de uma indagação obstinada na combinação de elementos que se recusam à beleza estética e formal. Eles podem ser divididos em dois grupos: os que se referem às cirurgias e terapias de modelação da estrutura do corpo (ossos, cartilagens, sentidos); e os que se referem à aparência plástica do corpo (dermatologia, cosmética, cirurgia estética). O efeito geral destes trabalhos é o de resquícios de uma história petrificada, mas sem ser mórbida ou apiedante. O espectador é deixado a contemplar estes resquícios mudos, irremediavelmente alienados do sofrimento evidente que a artista experimentou uma vez, confrontando-se, no entanto, com anseios contraditórios entre ficar olhando hipnotizado ou voltar-se imediatamente, porque é incapaz de escapar da sensação desconfortável que demarca a pequena distância do destino dele do da artista. Estas caixas falam ao medo recalcado em todos nós das transformações físicas, da mortalidade, do sofrimento e, ao mesmo tempo, do desejo intelectual de conhecer intimamente a dor agonizante a qual a carne é suscetível.

Entretanto, nas caixas de Nazareth há uma certa calma, um agenciamento psíquico sem ansiedade, algo que passa quase indiferente pelo sofrimento experimentado pela artista. Valendo-se de sua condição singular, ela se afasta da retórica de seus contemporâneos para instaurar a diferença de seu trabalho: não ser metafórico. A “fisicalidade” destes fragmentos ordenados não transportam nada além da sua história pessoal e não informam nada além da materialidade de seu próprio corpo. As obras mostram detalhes ou referências ao processo de modelação do corpo da artista, organizados e expostos com uma ostentação inquietante. Contudo, elas se constituem a partir de uma manipulação não enquanto forma capaz de conter um sentido, mas pela apropriação que a artista faz de si mesma. Deste modo, Nazareth trabalha sobre a questão do vínculo entre o artista e o mundo e exprime sua própria dificuldade de dar conta da realidade que ela explora. As fotos, os relatórios, os moldes, os instrumentos que invadem o olhar aparecem como fendas no desejo de ver, onde ator e espectador, vítima e voyeur se confundem. A realidade do corpo que esvazia a imagem exige o corpo do espectador para alimentar o olhar. É para reencontrar a profundidade desta experiência, a verdade deste instante, que ela confronta o espectador com estes fragmentos do real, implicando-o em seu desejo de dar o corpo novamente à visão.