SÃO PAULO | ZÜRICH

 
SÃO PAULO | ZÜRICH

Antonio Hélio Cabral

Antonio Hélio Cabral
Rafael Kamada

[Cabral]
Flash of Desire

17 setembro – 20 novembro 2021


Galeria Kogan Amaro Zurique
Lowenbraukunst, Limmatstrasse 270 –  Zurique, Suiça

Sobre a exposição

A localização de Löwenbräu da Galeria KOGAN AMARO apresenta uma exposição individual chamada “Flash of Desire” de Antonio Hélio Cabral (1948), pintor, desenhista, gravador e escultor brasileiro de carreira consolidada, titular do Prêmio Mérito Cultural concedido pelo Ministério da Cultura do Brasil, artista cujas obras participaram de várias Bienais e exposições internacionais, e estão presentes nas principais coleções institucionais do Brasil, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu de Lasar Segall, Museu de Arte de São Paulo e Museu de Arte Moderna de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul, Museo de la Solidaridad Salvador Allende em Santiago, Chile e Unasul – Nações Unidas das Américas do Sul em Quito, Equador, mostra pela primeira vez também na Suíça uma série de desenhos e pinturas sobre papel em uma mostra chamada “Flash of Desire”. Filósofo, escritor e pensador, ele mesmo estará presente para falar sobre os conceitos de suas criações, suas descobertas e seus engajamentos psicológicos trazidos pela arte.

 


 

Clarão do desejo no traço-tinta

À criação importa a verticalidade, a raiz. Raiz que extrai da existência a matéria do desejo, como uma árvore sorve da terra os nutrientes e os prepara ao fruto, e não a raiz do aqui ou dali: do ofício, da etnia, do pertencimento estético. Tudo fala com tudo. É assim que a natureza agrega, separa, forma; ao artista cabe o encontro que trans-forma e forma o único, a obra.

O traço nasce desenho. Vem de movimentos colhidos da natureza, percebidos em seus padrões que, refeitos, tornam-se humanizados. Sem o desenho o mundo flutua. O desenho pode encarnar movimento, ritmo, timbre, calibração de potência; pode propor e estabelecer analogias cromáticas, e psíquicas.

A existência, manifesta na pintura e no desenho, é o que me interessa. Penso que o traço tem vida própria. Tal qual, relâmpago de um desejo, traço-tinta percebido na figura, que dele emerge como estrondo. Tomo os artistas que chegaram aos estertores da expressão, como condenados a sua própria natureza. Dali, viram a natureza observada por uma fresta de seu ser. Sobre a sombra do mundo um rasgo, um clarão que exprime o extravasar das fronteiras da linguagem e o avanço da certeza sensível sobre a complacência. Na arte o desejo move o artista para si mesmo. Atravessado o vazio, entrevê o encontro do algo no qual seu ser se reconhece. A beleza para ser bela, prescinde da idealização da beleza. Importa-me a beleza que decanta o pó da existência, o afeto que a protege do entrópico vento do mundo.

Das obras expostas pela Galeria Kogan Amaro, distinguem-se dois conjuntos: figuras autogeradas a partir do caráter distintivo dos traços, processadas na cor, e entre-cabeças, conjunto de obras que propõem a questão: o que pode promover uma cabeça à figura? Uma cabeça isolada, impedida de interagir com outra, limita-se a condição de cabeça. Por outro lado, se desenho a cabeça facultando-lhe a possibilidade de ligação por meio da linha, da haste ou de qualquer elemento de acesso a outra cabeça, terei, não duas cabeças, mas duas figuras. Figuras definidas por sua potência – o que lhes permite a troca e agenciamento de potencias. Nessa série, as cabeças se associam, se confrontam, se integram… O espaço em negro, presente em algumas obras, torna-se oco, faz-se absoluto ao expor o desenhado ou o pintado.

Antonio Hélio Cabral


 

Sobre o artista

1948 – Antonio Hélio Cabral nasce em 25 de outubro de 1948, na cidade de Marília, SP. 1951 – Sua família muda-se para Echaporã, essa seria a primeira de muitas mudanças. Echaporã toponimicamente significa “lugar bonito” (Tupi), o que marca para Cabral, o início de sua atividade artística. Lá, Cabral produz, com restos e objetos de fundo de quintal, bonecos que pertencem ao maravilhoso infantil, que se amplia no épico e no cômico do cinema de bang-bang, aventura e chanchada. 1956 – Em São Paulo frequenta cursos de desenho na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, e, no ano seguinte, retorna a Marília, permanecendo na cidade por dois anos. 1958/68 – Em 1958, volta a residir definitivamente em São Paulo, com os pais. Por volta do ano de 1961, começa a frequentar a oficina de Fausto Boghi, artífice italiano. Aprende técnicas do cinzel por cerca de dois anos e experimenta outras de incisões. 1970 – Como estudante da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) auxilia na organização da 1° Exposição de Artes Plásticas de alunos e estudantes da FAUUSP e participa da mesma, expondo desenhos de humor. Após a sua entrada na FAU, os diálogos com Flávio Motta, o incitam a explorar novos meios de expressão artística, Cabral realiza trabalhos sob a estética do achado, objeto trouvé. O humor de suas obras, muitas vezes ferino, está presente desde o início de sua produção. Por vezes o humor esconde-se na trama, em outras surge como brutalismo. 1971 – Sem abandonar a estética do achado, que persiste sobretudo em seus desenhos, Cabral veste-se do sentido da busca, daí inserir em sua produção a pintura de cavalete como objeto de pesquisa. Datam deste ano, desenhos aquarelados que jogam com o imaginário da ambiguidade. 1972 – Participa de coletivas organizadas no MAC e no MASP respectivamente, Arte Jovem Contemporânea e Salão Paulista de Arte Contemporânea, além da mostra organizada pela Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna de São Paulo. 1973 – Monta ateliê na Rua Tupi onde passa a exercitar-se em pintura de cavalete e, como afirma, engata no deboche, algo como na obra de Dubuffet. Realiza exposição individual na Foca Galeria (São Paulo), onde mostra obras irônicas em desenhos aquarelados e alguns objetos. Participa da exposição organizada pela Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna (São Paulo), Bienal de Santos, Salão de Exposição de Artes Plásticas Il de alunos e estudantes da FAUUSP, montada no Museu Lasar Segal. Ensina desenho no Artestudium, por cerca de um ano. 1974 – Começa a ensinar pintura e desenho no Museu Lasar Segal; faz pesquisas sobre artistas do decênio de 40 e organiza exposições, destacando pintores e temática do período. Novamente monta neste museu, a exposição dos alunos e estudantes da FAU-USP a terceira e última mostra, na qual Cabral participa, mostrando trabalhos feitos com esmalte sobre compensado. Datam deste ano, pinturas de cabeças, que mantêm o humor das realizadas anteriormente. Também são desse ano as cabeças de pedra-sabão que, ironizando o multifacetado cubismo, produz rostos gaiatos. Essas esculturas são objetos de natureza morta que Cabral pinta em 1978. 1975 – Frequenta as sessões de modelo vivo no ateliê de Antônio Carelli, das quais também participa Raphael Galvez. Recebe orientação sobre modelagem e fundição em gesso, no ateliê de Raphael Galvez. Expõe na Galeria Atelier (Rio de Janeiro) desenhos, que segundo Cabral, estavam entre o brutalismo e o humor. 1976 – Leon Kossovitch escreve que, nos anos de 76, 77 e 78, Cabral sofre mudanças significativas no que concerne a sua atividade artística, o que pode ser observado nos trabalhos (…) mostrados no MASP e na Pinacoteca do Estado de São Paulo e na Lácio Galeria de Arte. Leon Kossovitch evidencia as diferentes direções de Cabral que, como artista, não prescreve normas para seus trabalhos, tampouco se limita a pensar numa única direção. O Museu de Arte de São Paulo organiza individual do artista mostrando produção diversificada, com desenhos de humor e obras de execução brutalista. Participa da Bienal Nacional (São Paulo), expondo objetos infláveis. 1977 – Monta ateliê no Pari, onde permanece por cerca de um ano. Prossegue com pintura de observação, sem contudo, deixar de revitalizar questões anteriores, agora em novas chaves. Expõe conjunto de pinturas, desenhos e objetos que valorizam a estética do achado na Pinacoteca do Estado. Enquanto esta proposta é discutida na Pinacoteca, realiza entre 1977/1978 o Kit-Caras, transposição atualizada do Logocaras (1975). 1978 – Expõe na Lácio Galeria de Arte (São Paulo) seu Kit-Caras, exposição sob a estética do humor, na qual o comprador, ao adquirir um pacote com 25 carinhas, as montava num suporte previamente preparado. Datam deste ano pinturas de imaginação, criadas pelo desejo de rememorar o imaginário infantil. É também deste ano, a Natureza Morta com Cabeças, pintura irônica, brutalista quanto à execução. 1979 – No início do ano Cabral viaja para Minas Gerais, onde permanece pintando por cerca de um mês. Ao voltar, deixa de frequentar as sessões de modelo no Pari, e pinta paisagens de observação na Vila Mariana. 1980 – Realiza exposição na Galeria Seta (São Paulo), com as paisagens da Vila Mariana, pinturas que têm composição estruturada geometricamente. Esta pintura indica a direção das obras que Cabral realizaria nos dois anos seguintes. 1981 – Incorpora às suas pesquisas a busca da plástica; adensando os contrastes de claro-escuro, Cabral dá tatilidade às naturezas mortas que cons-trói. Em Marilia, é organizada exposição na Galeria Flexor com pinturas de suas lembranças de infância, realizadas no ano de 1978.

1982 – Pelo segundo ano consecutivo, Cabral dá aulas de desenho e pintura na Pinacoteca do Estado, tendo como modelo, o jardim da Praça da Luz. Em Santa Catarina pinta Mar, aquarela resolvida por amplas áreas de cor, incorporadas aos traços do registro gráfico. 1983 – Realiza individual na Galeria Seta (São Paulo), expondo figuras femininas em desenhos e aquarelas. 1984 – Neste ano, pinturas como Retrato, Mapoteca, Quadro e Terraço, mostram novas soluções plásticas (série cascas, definição dada por Leon Kossovitch, em seu livro sobre o artista). 1985 – Participa da XV Bienal de São Paulo, e expõe figuras na individual organizada pela Galeria Espaço 1030 (São Paulo). 1986 – A Galeria Millan (São Paulo), organiza a exposição Cabral – Pinturas e Esculturas, com texto de apresentação de Jacob Klintowitz. 1987 – Participa da exposição coletiva 18 Artistas Contemporâneos, organizada pela Dan Galeria, com curadoria de Emanoel Araújo, em Brasília, DF. 1988 – Integra a coletiva intitulada Ação realizada no MAM (São Paulo). Expõe na Galeria Millan (São Paulo). 1989 – Recomeça a pintura de humor, transfiguração da pintura de cabeças de 1973/74. 1990 – Participa das coletivas organizadas sob o conceito Brasil-Japão no Palácio do Itamarati (Brasília, DF), no Museu de Arte de São Paulo e em Sapporo (Japão), no Museu de Belas Artes de Atami e Museu Central de Tóquio (Japão). Em São Paulo, expõe Coleções, organizada no Gabinete 144. 1991 – Expõe individualmente na Galeria Paulo VasconceIlos (São Paulo). 1992 – Participa novamente da exposição Brasil-Japão montada no Museu Central de Tóquio, em Sapporo, e no Museu Central de Belas Artes de Atami. Expõe na Feira de Arte 92, em Buenos Aires (Argentina) e na Feira Miami Arte 92 (Miami, EUA). 1993 – Exposição individual no Gabinete 144, Cabral Pinturas e Relevos, com curadoria de Luiz Américo Munari. 1994 – Participa da exposição Os Novos Viajantes, organizada por Jacob Klintowitz, no SESC-Pompéia (São Paulo). Coletiva Arte Atual Brasil Senses, Escritório de Arte Renato Magalhães Gouvêa (São Paulo). Conhecedor da pintura dos anos 40 de São Paulo, Cabral faz a curadoria da exposição de Raphael Galvez, Cidade à Sombra dos 40, Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo). 1995 – Lançamento do livro Hélio Cabral, escrito por Leon Kossovitch e editado pela EDUSP, com mostra no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, da qual Kossovitch é curador. 1996 – Expõe Monotipias e Litografias no Gabinete 144 (São Paulo). Expõe na Galeria Elizabeth Nasser, com curadoria de Jacob Klintowitz, em Uberlândia, MG. 1997 – Monta ateliê na Rua Dr. Frederico Steidel, centro antigo da cidade de São Paulo, onde realiza pinturas de grande formato. 1998 – Casa das Artes Galeria (São Paulo), monta individual de litografias do artista. 1999 – Exposição Pinturas Recentes na Pinacoteca do Estado de São Paulo, com curadoria de Mayra Laudanna. 2000 – Participa das exposições Almeida Júnior um artista revisitado e Os Anjos Estão de Volta, ambas na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Participa da coletiva Brasil 500 Anos, módulo A Carta de Caminha. Participa da exposição Entre Séculos, na Galeria Tina Zappoli (Porto Alegre-RS). 2001 – Exposição individual de pinturas sobre papel, na Galeria Millenium (São Paulo). Retoma o trabalho de modelagem, suas esculturas são reproduzidas preferencialmente em gesso. 2002 – Exposição Cabral – Coleção Casa das Artes, na Casa das Artes Galeria (São Paulo). 2003 – Ilustra com série de litografias o poema Marcas Marinhas, de Saint John Perse, Editora Atelier (São Paulo). 2004 – Expõe obras em diversas técnicas no Escritório de Arte Marilú Cunha Campos (São Paulo). Lança série de cerâmicas na Galeria Arte Aplicada (São Paulo). 2005 – Mostra Coletiva Brasileiro, Brasileiros, Museu Afro Brasil, com curadoria de Emanoel Araújo, em São Paulo. Mostra Comemorativa Cem Anos da Pinacoteca do Estado de São Paulo, realizada na FIESP (São Paulo). Lançamento do Livro Pincelagens e Debuxos, organizado por Mayra Laudanna, Editora Atelier, com mostra paralela na Galeria Estação São Paulo (São Paulo). Exposição Individual na Galeria Renot (São Paulo), com curadoria de Vera Novis. 2006 – Monta ateliê de escultura e gravura na Rua Jesuíno Paschoal no bairro de Santa Cecília em São Paulo. Mostra Individual Faces de uma só Face, Art Lounge (Lisboa-Portugal) • Mostra em cenário do Programa Metrópolis, TV Cultura • Arte Lisboa (Portugal), pela Galeria Art Lounge. 2007 – Art Madrid (Espanha), pela Galeria Art Lounge. • Ut picturas diversitas, Memorial da América Latina (São Paulo) • Terra a Dentro, Galeria Tina Zappoli (Porto Alegre, RS), Arte Lisboa (Portugal), pela Galeria Art Lounge. 2008 – Bienal de Brasília, como integrante do grupo G11• Art Madrid (Espanha), pela Galeria Art Lounge • Arte brasileira em Bruxelas, Berlim, Roma, como integrante do grupo G11 • Mostra individual, Entrecabeças, Art Lounge (Lisboa-Portugal) • Mostra individual, Corpo a Corpo, Galeria Paulo Darzé (Salvador-Bahia). 2009 – Art Madrid (Espanha), pela Galeria Art Lounge • Arte Lisboa (Portugal), pela Galeria Art Lounge • Mostra de pinturas e desenhos no Salão de Arte 2009 pela Galeria Casa das Artes (São Paulo) • Mostra coletiva, Museu Afro Brasil, Eu tenho um sonho, com curadoria de Emanoel Araújo, em São Paulo. 2010 – Art Madrid (Espanha), Art Dubai e Art Mônaco, pela Galeria Art Lounge. Mostra comemorativa 50 Anos de Brasília (Brasília, DF). Mostra de pinturas e desenhos no Salão de Arte 2010 pela Galeria Casa das Artes (São Paulo). Mostra Cores Nomes, Galeria Espaço Arte (São Paulo). Edição de Maré, catálogo-livro com ensaio crítico de Luis Armando Bagolim e fotos de João Musa (São Paulo), Galeria Sérgio Caribé, São Paulo

 

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