Estudei muito para não ser um cara sério

Estudei muito para não ser um cara sério
Rafael Kamada

Daniel Lannes
Estudei muito para não ser um cara sério

01 Jul – 27 Jul 2019

Abertura
29 Jul, 11h–15h


Galeria Kogan Amaro
Alameda Franca, 1054
Jardim Paulista, São Paulo, SP

Daniel Lannes

Estudei muito para não ser um cara sério

Como se o quadro fosse um palco, Daniel Lannes (Niterói, RJ, 1981) lança mão de pinceladas carregadas de teatralidade para dar forma a seus personagens nas situações mundanas da vida. Sem monotonia, joga luz em questões que não têm como (nem devem) ser respondidas de imediato: alia uma sensualidade tosca do corpo humano às relações de poder e à malemolência do brasileiro. Também cria desconforto ao trabalhar clichês comportamentais, principalmente do universo masculino – tantas vezes grotesco. 

O mais novo artista representado pela Galeria Kogan Amaro tem duas décadas de carreira e busca inspiração nas fotografias publicadas em revistas de costumes, jornais, livros de história da arte e nas redes sociais; basta se apaixonar pela imagem, usada quase como uma obsessão como parte do que vai retratar. Por isso, não só um, mas dois ou mais retratos compõem suas telas. Tal qual um quebra-cabeça, subverte as figuras numa espécie de colagem, em que vão se sobrepondo narrativas, crônicas visuais do cotidiano, quadro a quadro, que propositalmente aparentam pinturas inacabadas.

Graduado em comunicação e mestre em Linguagens Visuais, Lannes parte da abstração e vai para a figuração, com uma maneira de pintar tradicional. É um percurso evidente, em que vai ordenando pinceladas e camadas de tinta disformes, sobrepondo-as. Há tempos o artista fluminense tem atração pela pintura figurativa: quando visitava museus, na adolescência, gostava de se ver observado pelas figuras daquelas pinturas tradicionais – uma técnica milenar, já encontrada na arte do antigo Egito, de retratar os olhos das figuras de tal modo que, ao mudar de posição, o espectador se sente acompanhado por eles em todo e qualquer canto da sala expositiva. Pode causar estranhamento, tal a maneira que os olhos fixam nosso olhar. E assim é a obra de Lannes: perturbadora ao explorar a condição humana de forma cínica, provocativa e sem respostas. Basta olhar.