SÃO PAULO | ZÜRICH

 
SÃO PAULO | ZÜRICH

Josafá Neves

Josafá Neves
Rafael Kamada

[Josafá Neves]
NKENDA afroindígena

 17 setembro – 20 novembro 2021


Galeria Kogan Amaro Zurique
Ramistrasse, 35-  Zurique, Suiça

Sobre a exposição

“NKENDA afroindígena”, exposição apresentada pelo artista afro-indígena brasileiro Josafá Neves na Galeria Kogan Amaro em seu novo local inaugurado na Rämistrasse 35 em Zurique, é a exposição individual que expressa um simbolismo étnico e uma profunda pesquisa filosófica social através das pinturas dos arquétipos indígenas que fazem parte da linguagem e espiritualidade dos nativos brasileiros. “NKENDA afroindígena” faz parte da trajetória da artista, dedicada à recuperação de imagens obliteradas pela narrativa dominante da história da arte brasileira, que favorece apenas elementos estéticos do patrimônio europeu, em detrimento das enormes contribuições indígenas e africanas, essenciais na construção da cultura visual brasileira. No caminho do grande Rubem Valentim, Josafá reconstrói, com extrema sofisticação intelectual, o icônico panteão derivado dos indígenas nativos e do povo africano que chegaram ao Brasil nas condições degradantes da escravidão.

 


 

Uma escrita ancestral

A arte sempre foi uma antena capaz de captar todos os fenômenos ao nosso redor, uma espécie de provocação interior em busca das mais remotas manifestações do espírito e do mágico ato de criação.

Procurar o sentido das coisas gravadas em tempos remotos e imemoriais tem sido o mais novo fenômeno de muitos artistas nas últimas décadas do século XX. É assim que surge um artista revelador como Josafá Neves, vindo do planalto central do país, da capital federal, da mágica Brasília… Terra de muitos fenômenos espirituais, de gente caldeada e desse entroncamento racial e religioso, místico mesmo, que encontra agora esse artista, como se fosse ele próprio um Vodum, espalhando essas vibrações, esses arquétipos guardados na memória de um tempo passado e um tempo presente.

E assim, essa busca simbólica das formas, das formas dentro de outras formas expandidas, repetidas como um rio de paixões secretas e, ao mesmo tempo, silente, arquivadas no âmago das memórias, de Deuses  entre o céu e a terra.

A natureza e o universo mágico pelos quais ele se expressa, expondo nessa linguagem do mistério de divindades cristãs, indígenas, africanas e afro-brasileiras. Essas são imagens vivas, representadas por cores simbólicas.

Aqui nesse Panteão, onde se dá esse encontro mágico-religioso, um templo habitado por seres cujas formas se envolvem como algo pulsante, vivo, remetendo a fortes energias, próprias de muito antiga sabedoria em captar esse meandro de recortes. E de onde aparecem essas preces para esses seres que habitam a terra e que traduzem a força pura e universal.

Emanoel Araujo

 


 

NKENDA afroindígena

Os africanos de origem banto tiveram importância fundamental na composição da história cultural brasileira durante os três séculos de escravidão. Torna visível a presença africana na formação do português do Brasil, Nkenda vem da língua Kimbundo (bantu), que significa Caminho interior para dentro de si mesmo. Esse caminho perpassa as raízes e ancestralidade do ser negro, que em pacto de solidariedade e resistência uniu-se aos indígenas no Brasil, do laço criado surge as trocas culturais, um modo de vida, estética e experiências entre nativos indígenas e africanos diaspóricos.

Tainã Bandeira


 

Sobre o artista

Brasília – Brasil, 1971
Vive e trabalha em Brasília – Brasil

Artista plástico, afrobrasileiro, nascido em Brasília em 1971, autodidata. Há 24 anos de dedicação integral ao ofício das artes, participou de exposições coletivas e individuais com óleo sobre tela, desenho, escultura, cerâmica e instalações, em cidades como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Massachusetts, Havana e Caracas. A prática da pintura para o artista é de um valor incontestável e efetivo. Um dos encantos dos trabalhos de Josafá está justamente na proposta consciente de criar as pinturas a partir de uma pele negra: as telas são sempre pintadas de preto antes da aplicação de outras cores. A atmosfera e riqueza gerada é única.

 

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