Katia Salvany

Katia Salvany
Rafael Kamada

Katia Salvany
A concha, a espada, o corte e o amor

28 Out – 23 Nov 2019

Abertura
26 Out, 11h–15h


Galeria Kogan Amaro
Alameda Franca, 1054
Jardim Paulista, São Paulo, SP

Katia Salvany estreia em individual na Galeria Kogan Amaro

Em A concha, a espada, o corte e o amor, a artista explora diversos suportes fazendo uso de técnicas de gravura e impressão

Na fissura aberta pela goiva empunhada por Katia Salvany, corre um rio azul que esculpe vestidos, conchas e gavetas. O instrumento percorre as expressões nos rostos femininos, passa pelos fios de cabelos e chega aos olhos do espectador. Ao mesmo tempo que traça caminhos, a ruptura conecta os diversos suportes artísticos apresentados em A concha, a espada, o corte e o amor, exposição individual que a artista exibe a partir de 26 de outubro, na Galeria Kogan Amaro.

Salvany transita entre diferentes linguagens, de gravuras e pinturas à performance e vídeo, passando por cada suporte como a fração de um filme. Na mostra, ela apresenta suas obras ora como objetos de cena, ora como protagonistas. “A multiplicidade de Katia não cabe em gavetas. A fidelidade de sua composição é a alma artística, aquilo que ela faz mergulhar em cada gênero, como também vemos nos trabalhos de Joan Jones e Kiki Smith”, explica a curadora Ana Carolina Ralston.

A artista explora gêneros como natureza-morta e autorretrato e investiga o interesse corporal e seus vestígios no tempo, ideia presente em Mulher e gaveta (2019), pintura feita em esmalte sintético e Concha azul (2019), trabalho no qual usa mokulito, uma técnica alternativa baseada nos princípios da litografia e que toma a madeira como base. “Mulheres e conchas com gavetas, suspensas no branco do papel, pintadas e desenhadas com cortes desferidos sobre a madeira são como metáforas das muitas vidas e histórias femininas que me atravessam o corpo”, define a artista.

A escolha de seus processos de impressão faz de suas obras peças de tiragens únicas, com perspectivas ilusórias nas quais figuras em superfícies planas causam a impressão de tridimensionalidade. Já nas representações pictóricas, a artista distorce as formas orgânicas para trazer movimento aos objetos.