SÃO PAULO | ZÜRICH

 
SÃO PAULO | ZÜRICH

Textures of Reality – Isabelle Borges

Textures of Reality – Isabelle Borges
Rafael Kamada

Isabelle Borges
Textures of Reality

11 jan – 28 mar

Abertura
10 jan, 18h–20h


Galeria Kogan Amaro
Löwenbräu-Kunst. Limmatstrasse, 270
Zürich CH-8005 – Switzerland

Texturas de Realidade

Em suas obras predominantemente abstratas, Isabelle Borges explora padrões e estruturas com as quais se depara no mundo visível. Seu foco principal é na geometria dos espaços entre as coisas e a dinâmica especial resultante. Ela gera espaços pictorais que se expandem e contraem evocando tecidos espaciais em movimento.

Borges é herdeira de várias vertentes da tradição da arte abstrata. O movimento brasileiro de neoconcretismo teve uma importante influência durante o seu tempo estudando no Rio de Janeiro; a New York School e alguns artistas europeus dos anos 50 e 60 foram de igual importância. Como muitos artistas de sua geração que trabalham com abstração e geometria, Borges não sente nenhum compromisso dogmático à pureza da forma e ao espaço não ilusionista. A ilusão espacial e a planicidade das formas estão em constante interação em suas obras. As formas não são construídas a partir de elementos puramente pictóricos. Borges é inspirada com frequência por estruturas aparentemente aleatórias com as quais ela se depara no ambiente urbano, na natureza ou nos meios de comunicação de massa. A gama de seu trabalho é ampla, tanto na estética como no conteúdo, abordando alusões históricas, experimentos perceptivos, interrogações discursivas e abordagens puramente subjetivas.

A sua mais recente série de pinturas e colagens é baseada, na maior parte, em fotografias, nas quais ela reduziu ao máximo a validade representacional dos objetos retratados. Borges faz uso de linhas, formas, estruturas de composição e superfícies contrapostas para criar algo de novo. A interação entre as linhas e os planos gera espaços visuais que não se parecem mais com as fotos que serviram de inspiração.
As pinturas abstratas da série “Simulações” (Simulations) são construções complexas de formas e contornos entrelaçados/emaranhados. A cor destaca certas formas e as separam do solo, evocando às vezes formas cômicas ou uma arquitetura futurista. A profundidade e o volume são resultantes da dobradura, estratificação, sobreposição e rotação das superfícies – ou, tal como Borges explica, “da dobra de superfícies móveis”.

Na série “Janelas” (Windows), Borges emprega apenas algumas linhas de cores que se cruzam para criar estruturas que se articulam por meio de tons de vermelho, amarelo, azul e cinza finamente coordenados. Formas em formato de arcos parecem flutuar na tela sem pintura. É como se estivéssemos olhando através de um telescópio: o espaço pictórico parece se contrair e se tornar mais denso.

No mural expansivo que Borges criou para uma parede da Galeria Kogan Amaro, ela procurou gerar uma espacialidade dinâmica simplesmente através do poder da linha. Ao modular a amplitude, densidade e tensão da linha, ela criou superfícies internas e externas altamente carregadas.

A artista brasileira Isabelle Borges nasceu em Salvador em 1966 e vive e trabalha em Berlim desde 1997. Após estudar ciências sociais em Brasília, ela entrou para escola de arte no Rio de Janeiro e Düsseldorf.  Ela teve várias exposições individuais na Europa e no Brasil, incluindo o Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MUBE), em São Paulo (2013), e o Museu da República/Palácio do Catete no Rio de Janeiro (2000). Obras de Borges estão à mostra no Museu Oscar Niemeyer, como parte da 14ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba (2019 -2020). Ela também está presente em importantes e diversas coleções institucionais e privadas no Brasil e na Alemanha.