SÃO PAULO | ZÜRICH

 
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ArtRio Online 2020

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Rafael Kamada

ArtRio Online 2020

Temos o prazer de anunciar a nossa participação na ArtRio Online 2020. A feira estará disponível virtualmente do dia 15 a 25 de outubro. A Galeria apresenta o projeto “Nosso resto de real”, com curadoria de Pollyana Quintella, trazendo obras dos seguintes artistas: Alan Fontes | Bruno Miguel | Felipe Góes | Gabriel Botta | Mirela Cabral | Samuel de Saboia | Tangerina Bruno.

Nosso resto de real

Já não é novidade que o nosso tempo esteja marcado pela profusão e eficiência técnica das imagens. Na internet, elas dividem abas, redes, aplicativos, selfies, eus virtuais, figurinhas de whatsapp. Na rua, são embalagens, peças publicitárias, outdoors, estampas. Dentro de casa, são fotografias, pinturas, capas de livros, souvenirs e cacarecos. Estamos rodeados por elas em tudo o que fazemos.

Mas se a presença incontornável das imagens nos abriu inúmeras possibilidades de expressão, representação e invenção de subjetividade, também ficamos cada vez mais reféns delas. As nuvens armazenam nossos nudes, o aplicativo reconhece a nossa face, a câmera de segurança registra o delito, a webcam permanece ligada 24 horas, o instagram é um vício.  Além disso, não é raro nos encontrarmos sem ferramentas para distinguir ficção e realidade, verdade e mentira, publicidade e vida real. As imagens nos controlam, e nenhuma informação parece escapar. Estamos, portanto, diante de um dilema.

Os trabalhos aqui reunidos, de sete diferentes artistas representados pela galeria Kogan Amaro, respondem a essa problemática de diferentes maneiras. Todos eles lidam com o universo das imagens, esse nosso resto de real, seja se referindo mais diretamente ao repertório imagético cotidiano (fotos de noticiários, símbolos de consumo, desenho animado), seja criando imagens próprias, que projetam outros e novos mundos, fabulam horizontes por vir. Aqui, passamos pelas catástrofes de Alan Fontes, as explosões de Gabriel Botta, as paisagens inventadas de Felipe Góes, os bordados pictóricos de Mirela Cabral, a ironia pop de Bruno Miguel, as cenas delirantes da dupla Tangerina Bruno e o imaginário afrocentrado de Samuel de Saboia.

É com eles que exercitamos respostas para essas perguntas imperativas e insistentes: Por que o nosso tempo, marcado pelo excesso de imagens, é também o tempo de crise da imaginação? No que, afinal, consiste uma imagem? O que está por trás das construções imagéticas, sua logística, seu regime de operação? Se o excesso de imagens tem nos mantido permanentemente de olhos abertos, fazendo da visão uma ação ininterrupta, aprendemos, com os artistas, que para sonhar é preciso também fechar os olhos. Que fundemos, então, outra medida para o piscar, outra alternância entre olhos abertos e olhos fechados, como nos sugere Didi-Huberman.

Pollyana Quintella