SÃO PAULO | ZÜRICH

 
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Latitude Art Fair

Latitude Art Fair
Rafael Kamada

LATITUDE ART FAIR

Temos o prazer de anunciar a nossa participação na Latitude Art Fair. Acontece em formato online viewing entre os dias 24 e 27 de setembro de 2020.

A Galeria apresenta o projeto “Corporific.ações”, com curadoria de Allan Yzumizawa, trazendo obras dos seguintes artistas:

Carlos Mélo – Élle de Bernardini – Gabriel Botta – Katia Salvany – Luisa Almeida – Mirela Cabral – Nazareth Pacheco – Samuel de Saboia – Tangerina Bruno

Corporific.ações | Embodi.ments

A exposição Corporific.ações traz para a discussão, trabalhos dos quais colocam em pauta o processo e o gesto de desconstrução da ideia sobre o corpo universal, assumindo desse modo, a corporalidade propositora no que diz respeito as potencialidades na sua criação de subjetividades como gênero, aspectos ancestrais, raciais bem como identitárias.

Em situações como nas imagens de Mirela Cabral, e Gabriel Botta, ambos artistas partem da construção da imagem a partir da observação, e que entretanto, utilizam-se da gestualidade para trazer a figura no limite da abstração. Portanto, esse corpo desfragmentado, abre-se para a potência de construção de novas subjetividades. Podemos observar esse movimento inicial nas pinturas de Samuel de Saboia, onde a desfiguração do corpo, aos poucos dão margem a sua própria reformulação subjetiva quanto racialidade e identidade.

Nas xilogravuras de Luisa Almeida, bem como na pintura de Katia Salvany, temos a figura da mulher ora no seu aspecto potencial revolucionário de resistência e militância, ora em momentos mais simbólicos e espirituais. As fotografias de Nazareth Pacheco, trazem discussões sobre a reconstrução plástica de seu próprio corpo diante do registro de uma pré-cirurgia. Élle de Bernardini se apresenta coberta de folhas de ouro, colocando o seu corpo como uma matéria valiosa, ao mesmo tempo que provoca e discute a situação de identidade que transborda para além das condições do cisgênero.

A figura do corpo também se apresenta de forma borrada em meio à arquitetura que a rodeia, onde a subjetividade da paisagem é evidenciada a partir dos detalhes que podemos observar nos azulejos do banheiro pintados pelo duo Tangerina Bruno. Já no registro de Carlos Mélo, o corpo representado de costas, encara uma caveira que se encontra em suas mãos, criando um diálogo que atingem em questões sobre a existência, e também sobre a morte.

É de se notar, portanto, que nesse conjunto de imagens que compõe a exposição, não temos uma ideia de corpo homogênea e encerrada, mas como uma corporificação diante das infinitas possibilidades das quais podem se desdobrar. Nesse sentido, tratam-se menos de um substantivo, que de um verbo pelo qual está sempre em (re)construção durante o fluxo de sua vida e das suas infinitas possibilidades de vir-a-ser.

 

Allan Yzumizawa