SÃO PAULO | ZÜRICH

 
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SP-Arte 2021 | José Rufino

SP-Arte 2021 | José Rufino
Rafael Kamada

SP-Arte Viewing Room 2021
José Rufino | Anima Forma Corporis

Exposição Virtual
09 – 13.06.21


Temos o prazer de anunciar a nossa participação na SP-Arte Viewing Room 2021, apresentando o projeto Anima Forma Corporis, de José Rufino.

ANIMA FORMA CORPORIS

“Tomando como referências os antigos tratados de anatomia, história natural, filosofia e arte acerca do corpo humano, lancei mão da expressão de Tomás de Aquino, Anima forma corporis, para propor esse recorte no meu vasto campo de interesse poético, numa espécie de “liturgia-de-artista”. Aproximei essas obras pensando que poderiam ser coisas não apenas para serem vistas, mas ferramentas de ritos poético-sensoriais, pequenas “manifestações” das dicotomias da experiência humana sobre as relações matéria/consciência, humano/não-humano, vida/morte ou arte/não-arte. Certamente essas questões estão presentes em boa parte do meu trabalho, mas cada reconfiguração modifica as obras e o que pode emanar delas. Elas não são coisas feitas, nunca se oferecem completamente dadas, terminadas. Serão sempre um continuum e se tentei capturar a anatomia da “alma” nessas coisas, terminei por oferecer o invisível, a experiência do sensível, as coisas da arte.” José Rufino

JOSÉ RUFINO

João Pessoa, Paraíba, Brasil – 1965
Vive e trabalha em João Pessoa

José Rufino iniciou seu percurso artístico nos anos 1980, interessado pelas produções mais experimentais, derivadas de movimentos como Dada, Fluxus, Situacionismo, Poesia Concreta, Poema/Processo e Gutai, quando experimentou campos híbridos entre poesia, poesia-visual e arte-postal, até chegar nas pinturas, monotipias, esculturas e instalações. Na mesma década iniciou a longa série de desenhos, colagens e pinturas sobre envelopes e cartas de família (“Cartas de Areia”, 1984-2021), longo work-in-progress que serve de leito para uma parte importante de sua poética, a relacionada ao universo do declínio dos engenhos de cana-de-açúcar no Brasil.

A partir dos anos 1990 seu trabalho assume outras escalas, motivações, abrangências e processos. Passa a evocar transmutações de memórias pessoais e familiares com referências cada vez mais sociais, políticas, filosóficas e científicas para criar instalações como  Respiratio, Lacrymatio, Laceratio, Nausea, Sudoratio, Plasmatio, Faustus, Divortium Aquarum, Ulysses, Silentio, dentre outras. A partir dos anos 2000 tem seu trabalho bem estabelecido em eixos como memória-esquecimento, tradição-ruptura, opulência-decadência, opressão-oprimido, ciência-arte, humano-não-humano, quase sempre seguindo uma taxonomia em latim e utilizando o corpo humano como memorial ou lugar-experimento, sempre na tensão entre matéria e “espírito”. Toda a obra de José Rufino é caracterizada pela contaminação, pela presença de passados, pelo uso de materiais imantados de histórias, experiências de vida, relações sociais e fenômenos da natureza. Mesmo quando não usa cartas, documentos antigos ou móveis usados, suas obras sempre evocam passados, exsudam existências escondidas atrás das pinturas ou dentro dos objetos. Procedimentos de escultura social, estética relacional e arte útil foram sendo incorporados ao longo dos anos, como acontecido durante os encontros e coletas de materiais relacionados a desaparecidos políticos para a instalação Plasmatio ou, mais recentemente, as monotipias de mãos de ex-trabalhadores de usinas de açúcar e álcool da série Opera hominum. Como é geólogo de formação e paleontólogo, as relações entre as ciências naturais e a ciência da arte sempre estiveram presentes no pensamento, discurso e nos processos de criação de Rufino, que atualmente faz o que chama de “conciliação” entre as duas áreas, fundindo-as nos procedimentos de pesquisa poética sem que reconheça diferenças, como se procurasse uma simpoiésis.

Rufino tem feito incursões pelo cinema, vídeo, curadoria e literatura, sendo esta última sempre presente, ou convocada, tendo em vista a profunda relação de sua obra com a palavra escrita. Ao longo de 37 anos de trajetória, realizou e participou de mais de 300 exposições, incluindo as bienais de São Paulo, Mercosul, Venezuela, Havana, Curitiba e Cerveira.  Teve grandes individuais em espaços como Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Museu Oscar Niemeyer (Curitiba), Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro), Casa França Brasil (Rio de Janeiro), Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Recife), Museu Andy Warhol (Pittsburgh,USA) e Palácio das Artes (Porto).

Desde o início da pandemia, Rufino já produziu cerca de 50 pinturas, a série Phantasmagoria, conjuntos de monotipias à maneira de Roschach e desenhos. Tem se dedicado à escrita de uma espécie de biografia da sua ligação com as plantas, a Botânica e a História Natural, ao mesmo tempo em que organiza um livro de suas experiências e pensamentos sobre a relação entre arte e meio rural. Em 2020 o artista criou o Instituto José Rufino, cujo ideal é potencializar ações a partir de suas poéticas e interesses científicos e ambientais.

 

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