SÃO PAULO | ZÜRICH

 
SÃO PAULO | ZÜRICH

O lugar que o artista encarna

O lugar que o artista encarna
Zwei Arts

Fortuna Crítica
Carlos Mélo

O lugar que o artista encarna

O lugar que o artista encarna

[spb_text_block animation=”none” animation_delay=”0″ simplified_controls=”yes” custom_css_percentage=”no” padding_vertical=”0″ padding_horizontal=”0″ margin_vertical=”0″ custom_css=”margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;” border_size=”0″ border_styling_global=”default” width=”1/1″ el_position=”first…

Corpos mortificados e transes eróticos na carne dos acontecimentos

Corpos mortificados e transes eróticos na carne dos acontecimentos

[spb_text_block animation=”none” animation_delay=”0″ simplified_controls=”yes” custom_css_percentage=”no” padding_vertical=”0″ padding_horizontal=”0″ margin_vertical=”0″ custom_css=”margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;” border_size=”0″ border_styling_global=”default” width=”1/1″ el_position=”first…

CARLOS MÉLO – Da flexibilidade dos signos

CARLOS MÉLO – Da flexibilidade dos signos

[spb_text_block animation=”none” animation_delay=”0″ simplified_controls=”yes” custom_css_percentage=”no” padding_vertical=”0″ padding_horizontal=”0″ margin_vertical=”0″ custom_css=”margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;” border_size=”0″ border_styling_global=”default” width=”1/1″ el_position=”first…

O Corpo Barroco | 2011

O Corpo Barroco | 2011

[spb_text_block animation=”none” animation_delay=”0″ simplified_controls=”yes” custom_css_percentage=”no” padding_vertical=”0″ padding_horizontal=”0″ margin_vertical=”0″ custom_css=”margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;” border_size=”0″ border_styling_global=”default” width=”1/1″ el_position=”first…

Transcorpo | 2002

Transcorpo | 2002

[spb_text_block animation=”none” animation_delay=”0″ simplified_controls=”yes” custom_css_percentage=”no” padding_vertical=”0″ padding_horizontal=”0″ margin_vertical=”0″ custom_css=”margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;” border_size=”0″ border_styling_global=”default” width=”1/1″ el_position=”first…

O lugar que o artista encarna

 

Desde o início de sua trajetória, Carlos Mélo investiga o lugar que o corpo ocupa no mundo. Começou a demarcar esse espaço, entretanto, pelo oposto do que se espera de uma busca ordenada, identificando, em objetos e instalações, estados de ausência do corpo ou os modos como, progressivamente, ele se desfaz. Foi só a partir desse grau zero de presença da carne que principiou a afirmar o corpo em relação ao ambiente que o entorna, recriando, ao mesmo tempo, o espaço do qual é conteúdo físico e simbólico.

Aproximando imagens e palavras, o artista fez convergir, por vezes, fotografias de seu corpo em situações de interação com a paisagem e diagramas conceituais que o sugerem como matéria em fluxo, definido sempre de modo transiente e relacional. São trabalhos que buscam dissolver a materialidade do corpo nos lugares onde realiza ações – confundindo carne e espaço – e, por meio do “contorcionismo semântico” que faz, transformá-lo também em conceito.

Em Carnos (2003), Carlos Mélo prescinde dos diagramas e concentra a potência lingüística do trabalho no título híbrido com que o nomina: Carnos funde carne – substantivo comum – com o nome próprio do artista, fazendo, do signo da língua que marca a individualidade, índice de um corpo genérico. Também as imagens que cria buscam, nesse trabalho, diluir o que torna o seu corpo único e mostrá-lo, ao contrário, como corpo comum e exemplar. Despido das roupas que conferem, a qualquer um, uma inserção social definida, e sem deixar, além disso, aparecer jamais o rosto, Carlos Mélo procede à diluição física de seu corpo no espaço.

Composto por conjunto de fotografias realizadas na própria sala onde são exibidas ou em outros espaços no interior do Museu (escada, porta, chão de outra sala), Carnos recusa, com veemência enunciada nas próprias imagens, ser identificado somente aos meios expressivos a que se filia (performance e fotografia). As imagens mostram distintos embates ou aproximações que o artista promoveu, pouco antes de serem expostas, entre o seu corpo nu e o espaço institucional e físico do Museu. Nesses contatos entre matérias desiguais, colocou a si mesmo em posições que parecem por vezes mimetizar o lugar, em outras lhe dar mais nitidez, ou ainda, em certas situações, subverter a percepção de sua presença construtiva forte. Seu corpo vira grafismo, mancha cromática ou comentário sobre regras – observadas por espaços museológicos – que apartam corpo do visitante de obra exposta. As imagens que exibe não são, portanto, apenas registros de ações performáticas nem tampouco fotografias desgarradas de seus referentes; são o suporte frágil no qual o artista enuncia o seu projeto de diluir fronteiras entre o que é orgânico e o que é matéria inerte ou só idéia.

São ao menos três as capacidades do corpo que, na reconstrução simultânea de si mesmo e do lugar que o entorna, são apontadas por Carlos Mélo em seus trabalhos. Em primeiro lugar, o corpo é apresentado como matéria enformante, pois molda a percepção das superfícies onde adere como outra pele e ganha, também ele, formas novas nesse processo. Em segundo lugar, o corpo é descrito como matéria espacializante, pois concede características espaciais novas ao local em que se insere e deste toma características de localização específicas, tornando-se corpo-espaço. Por fim, sugere o artista, o corpo é informante, pois carrega, como riqueza ou fardo simbólico que contamina tudo que toca, uma história de erros e acertos que o fazem ser aquilo o que é.

O Museu, continente de ações e objetos de arte, se torna, nas fotografias de Carlos Mélo, também o seu conteúdo imagético e simbólico, permitindo que o olhar do visitante testemunhe a relação entre um espaço definido e a sua representação fotográfica como lugar que o artista encarna.

Moacir dos Anjos

LIVRO DE VISITANTE

DEIXAR UMA MENSAGEM AO ARTISTA

O seu e-mail não será publicado.

*

4 − 1 =