SÃO PAULO | ZÜRICH

 
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Transcorpo | 2002

Transcorpo | 2002
Zwei Arts

Fortuna Crítica
Carlos Mélo

O lugar que o artista encarna

O lugar que o artista encarna

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Corpos mortificados e transes eróticos na carne dos acontecimentos

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CARLOS MÉLO – Da flexibilidade dos signos

CARLOS MÉLO – Da flexibilidade dos signos

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O Corpo Barroco | 2011

O Corpo Barroco | 2011

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Transcorpo | 2002

Transcorpo | 2002

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Transcorpo

 

Os últimos trabalhos de Carlos Mélo parecem pretender resolver um paradoxo. O conflito entre o peso da matéria e a imponderabilidade das ideias. Para mediador desse conflito o autor usa o pórpio corpo. Como se o corpo fosse ele próprio a demonstração da resolução desse paradoxo: o corpo é matéria e espírito. No corpo, ou melhor, no cérebro, a matéria através de um conjunto de trocas iónicas e de processos de passagem e comutação, transforma-se em espírito. As ideias são, na sua genelalogia mais radical, matéria. Não há ideias sem um suporte material.

A partir deste pressuposto de conversibilidade descobre-se a matéria mais primordial: a própria terra. Mas a terra é também o território, ou seja, a filiação, o lugar de pertença. Ao retirar terra do exterior do espaço de exposição (o jardim do IAC) para o interior ( a própria sala), e ao apresentar no interior a estrutura simétrica (o monte) daquela que ficou cá fora (o buraco), Carlos Mélo está a reflectir sobre a nautrureza simbólica daquele lugar, daquele território. Aquele volume de terra, que jazia despercebido no jardim passou, com o transporte, a adquirir o estatuto de obra de arte. E a  estabelecer subtis cumplicidades com a memória (mais uma vez um território simbólico e imaterial) daquela sala tocando no lustre que desce do tecto.

Entretanto, num dos seus diagramas característicos, que acabam por funcionar como cartografia de algumas perpelexidades conceptuais contemporâneas, desenvolve toda uma teoria da imaterialidade e da deslocação através da religião e da filosofia contemporânea.

Se na sala a terra é agora essa presença forte, no exterior passa também a existir uma ausêcia forte —um buraco inesperado. Uma ausência forte é uma presença. Cá fora um buraco, lá dentro um monte. Na perspectiva de uma física elementar o balanço seria nulo. Na perspectiva da (meta)física que o autor desenvolve, o balanço é duplo.

Associando o seu corpo a essa desterritorialização, colocando-se literalmente no buraco, ele implica-se no transporte como mediador da transformação. E o seu corpo que era um corpo-ideia, um corpo-pensamento, o corpo que concebeu a obra, transforma-se, assim, num corpo-acção, num corpo que faz, um corpo que desorganiza o mundo para imediatamente o reorganizar. Ousaria dizer um transcorpo: um corpo em trânsito, porque se desloca, e um corpo que provoca trânsitos, que desloca. No limite, um corpo transitório que sistematicamente demonstra o seu desconforto e a sua inadequação aos lugares.

Por isso, os lugares surgem para Carlos Mélo, como uma utopia, ou seja, um espaço intangível, a evidência de uma instabilidade. Perante a insuportável presença do lugar, Carlos Mélo decide dinamitá-los, não de uma forma terrorista ou explosiva, mas de uma forma subterrânea. Escavando-os e apresentando-os como espaços de fuga, da sua própria fuga. Como na obra-processo que desenvolveu em Boa-Viagem, transportando areia de uma zona socialmente favorecida da praia para outra zona menos favorecida, e explorando com essa performance múltiplas ironias sociais acerca das características daqueles lugares.

O corpo do autor é a demonstração de que o espírito se pode transformar em matéria e vice-versa, numa reversibilidade que continua a apontar para a relação entre pensamento e acção. O corpo surge, aqui, como a evidência da própria performance, da circunstância de o pensamento se transformar em acção. Este trabalho é uma metáfora eficaz de um pensamento performativo, um pensamento que implica o corpo na construção do mundo, um pensamento que faz.

Paulo Cunha e Silva

Porto,Setembro, 2002

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