Fabiano Rodrigues, por Leandro Menezes | 2013

Fabiano Rodrigues, por Leandro Menezes | 2013
Zwei Arts

Fortuna Crítica
Fabiano Rodrigues

Dentro e fora, de Pedro Cupertino | 2016

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Fotografia de arte – movimento e arquitetura | 2016

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SP-Arte, texto por Dedé Ribeiro | 2015

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Fabiano Rodrigues, por Leandro Menezes | 2013

Fabiano Rodrigues, por Leandro Menezes | 2013

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Fabiano Rodrigues, por Leandro Menezes | 2013

Leandro Menezes

Nossas cidades estão permeadas de concreto, cimento e pedras. Poucos sãos os espaços onde ainda encontramos terra em grãos, solta, mesmo os gramados e quaisquer manifestações de natureza aparecem somente quando previamente projetadas; por arquitetos, calculadas por engenheiros, desenhadas por paisagistas e então executadas por jardineiros. Bem como as construções. Cobrir o chão me parece essencialmente urbano, é o manto que protege, nós animais, de nossa primitividade, da selvageria e de toda insegurança essencial de nossos instintos – Chegaria a classificar tal ato (juntamente com o trabalho e a repressão sexual) como mais um dos interditos.

Valorizamos como uma superioridade cultural a fuga de nossos instintos, o que nos distância de simples animais, ou seja, todos os feitos consideravelmente humanos que se aproximam da manipulação da matéria, das linhas perfeitamente retas (ou circulares), são frutos de uma racionalidade que projeta a execução de uma obra para tal modificação, mesmo quando como resultado se busca uma organicidade que aparente menos impacto dessa divergência resultante da interação de uma criação artificial na orgânica e incontrolável natureza. Repetimos tal ação em diversas formas na nossa cultura, como na Dança. Como exemplo o Balé; no balé é essencial a presença da música (esta que primordialmente surgiu como tentativa de imitar os sons da natureza, o canto dos pássaros, o ruído dos trovões, etc.) que proporciona a interação de movimentos bucólicos previamente calculados (e bem como na música) e exaustivamente ensaiados para que saiam de acordo com a composição original de seus autores. A arte neste sentido é uma grande expressão da necessidade de autoafirmação do ser humano, como ser que se diferencia do simples animal, que o torna categoricamente humano.

Pois bem, estava a devanear sobre esses aspectos quando me deparei com uma imagem de um skatista, estático em meio ao concreto, pairando no ar com a aparência ausente de peso, bem como se portam as estátuas, mas me veio um estranhamento, pois o skate não é um ícone até então valorizado (ou era) dentro desta nossa racional cultura, portanto não caberia ali uma estátua deste tipo. Um equívoco. O skate é um símbolo contraditoriamente urbano. O andar de skate só é possível em sítios cobertos de uma superfície minimamente lisa ao ponto de permitir com a máxima ausência de atrito o deslizar das pequenas rodinhas, só é possível tal ato em grandes obras urbanas, os rolamentos requerem distância da poeira e da terra. Se torna ainda mais interessante quando as construções permitem a realização de manobras; como as dotadas de degraus e bancadas cobertas por mármore, as que contém valas, corrimãos e formas orgânicas. Hoje em dia a grande maioria dos arquitetos já planeja pensando (em evitar) os skatistas, alguns até projetam propositalmente buscando a interação e presença destes em determinado local.

A arquitetura de certa forma é uma arte que permite, busca e até mesmo provoca uma interação com a sociedade, o skatista desliza sobre ela, ressignifica, certas vezes a danifica em decorrência deste distinto uso. O skate é um símbolo marginal, associado a depredação, à ociosidade, a infantilidade, talvez porque sua prática é essencialmente urbana, e flana em meio a um ambiente que é progressivamente associado à função de trânsito, em contrapartida a livre fruição deste no espaço público. Em palavras claras e chulas o skatista provoca inveja em nossos afobados e engravatados executivos que há muito esqueceram de sua infância, de seu corpo, da sua animalidade.

Era uma fotografia de um Skatista, más não me parecia também uma fotografia de skate.

Pois mesmo no universo do skate existe uma padronização, não menos nonsense e burocrática que qualquer outra moda – há muito perdeu sua tonalidade anárquica – há que se desembolsar muito dinheiro para poder se portar como skatista atualmente, quiçá existem até cursos de preparação em algum novo tipo de escola, além de exigir do praticante o uso de determinado modo de falar, gesticular e como se portar. Há a padronização do comportamento tribal devorado pelo mercado que há tempos descobriu nesta tribo um grande nicho.

Não parecia uma fotografia de skate porque evocava certa solidão, era envolta por um eco de silêncio que só se reverbera de personalidades que saem em busca de sua individualidade, não menos era impregnada de certa arrogância que tais seres me provocam por exalarem tal independência e aceitação de sí mesmos. Más felizmente essa arrogância insiste em estar presente somente em meus preconceitos, mesmo porque a experiência sempre me contradiz, Há tempos percebi que estas pessoas são no fundo as mais humildes e atenciosas.

Fiquei com essa imagem em mente, até que por acaso me deparei com uma conversa aberta ao público frequentador de determinada feira de arte, quando pude (para minha surpresa) ter contato com o autor daquela imagem, se tratava de Fabiano Rodrigues – Skatista e posteriormente fotógrafo. Um registrante de impressões decorrentes de sua interioridade e da prática cotidiana impregnada de sentimentos geradas nas ações percebidas por este movimento. Sempre tive como grande artista aquele capaz de expor intimamente a si mesmo, com sinceridade – Principalmente os fotógrafos devem ser dotados destas características – os que chegam por acaso geralmente o são. Ao que pude perceber pela presença e discurso, que Fabiano é uma destas pessoas presentes e sinceras.

Posteriormente tive contato com o restante da obra e sua atual produção, há em mim o constante aguçamento deste contraste, a contradição provocada pela sensação agressiva que é dotado o skate em harmônia a movimentos graciosos e leves, em suma há uma fusão estética inaceitável quando interpretada pelo conteúdo icônico da arquitetura artística fundida com seus, até então rivais, skatistas e skates.

Me despertou mais atenção um novo contraste, agora pela presença da nudez. O corpo nu abdica de qualquer valor social, se isenta da moda (que denúncia o tempo e propaga personalidades, maquia o indivíduo), afronta o interdito pessoal, e apesar de tal coragem aparente ser necessária para abdicar de tantos valores, o resultado é sempre frágil. O nu revela tudo, inclusive nossas inseguranças. Por mais contraditório que possa parecer, todo e qualquer indivíduo só é seguro quando se torna ciente de suas inseguranças, e não teme esta exposição. Bem como na fotografia, sempre nos fotografamos, enquadramos diversos assuntos, outras pessoas, mas essencialmente estamos sempre presentes. A imagem é mais abstrata e rica que nossa linguagem verbal, porém incodificável. A câmera absorve certos sentimentos e os repassam, brutalmente. É um código ainda incensurável.
Estamos sempre sozinhos afinal, falamos e escutamos de outros, mas percebemos sempre o mundo sobre a pilha de todas as emoções sentidas ao decorrer de nossa vida. Pouco sabemos inclusive sobre nós mesmos, nos enganamos e passamos toda existência a escondermo-nos de quem realmente somos, próprios desconhecidos, sozinhos.

A vida é rica e frágil. O corpo é exposto, desprotegido e repleto de percepções sensoriais. Nos resta apenas admitir nossa insegurança e viver da melhor maneira possível. Sentir onde estamos. Seguir com a sensação dos pés descalços sobre a áspera lixa do shape, em velocidade, com o corpo totalmente desprotegido, correndo sobre o cimento duro e rugoso, com a coragem do inóspito corpo, desafiando linhas (e riscos). Com o tempo interagindo na presença do tenso momento para o autorretrato, não sei dentre a quantas tentativas, o que me surge é um resultado que me comprova a máxima; de que quanto mais distante da vida (e de nós) estamos, mais tememos os riscos.

Cabe aqui estarmos próximos.